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Brasil melhora 'nota' de corrupção apesar
de escândalos
No momento em que o governo do presidente
Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta uma série de denúncias de
corrupção, a organização Transparência Internacional (TI)
divulgou um relatório que melhora a nota do país em relação
ao combate ao problema.
De 3,3 no ano passado - o pior nível histórico do Brasil - a
nota do país subiu para 3,5 neste ano, na medição anual da
ONG, que vai de zero a dez.
No ranking geral, o Brasil caiu da 70ª para 72ª posição, mas
esta mudança reflete a entrada de novos países na pesquisa.
Foi a primeira vez que a nota subiu no governo Lula, embora
a pesquisa tenha sido feita antes de episódios como a
decisão de processar os acusados pelo mensalão e a
absolvição do senador Renan Calheiros no Congresso Nacional.
Além disso, o porta-voz da Transparência Internacional no
Brasil, Bruno Speck, ressaltou que a mudança é apenas um
'passo para o lado' na percepção pública do combate à
corrupção, já que se situa dentro da margem de erro da
pesquisa - 0,2 ponto percentual para cima ou para baixo.
Os patamares da atual administração ficam abaixo do
registrado no final do governo Fernando Henrique Cardoso,
que foi melhorando do início para o fim, alcançando 4,1 em
1999 apesar das denúncias de compra de voto no Congresso
Nacional para aprovação da emenda que permite a reeleição do
Presidente da República (veja quadro).
"A tendência no governo FHC e Lula é inversa", reconhece
Speck, "mas ambos passaram por altos e baixos".
"Não dá para dizer que o Brasil mudou significativamente
para melhor ou para pior. E isso confirma a percepção de
quem vive no país e vivencia fatos que apontam em direções
opostas." Dois recentes exemplos contraditórios, disse ele,
são a decisão do Supremo Tribunal Federal de processar os
acusados no caso mensalão - um "sinal positivo" - e a
absolvição do senador Renan Calheiros no processo de
cassação.
Sobre o Mensalão, Speck afirmou: "Jamais o Judiciário tocou
nos altos escalões da política de uma forma tão contundente
como está fazendo agora. Embora não tenha julgado o caso,
aceitou a denúncia".
"No entanto, duas semanas depois, há a absolvição do
(senador) Renan Calheiros, que foi um sinal para o outro
lado." "Existe uma percepção de que algumas coisas estão
trazendo esperança de melhora, e outras que destacam o
Brasil como o país da impunidade." Para o analista, o Brasil
pode melhorar seu desempenho atacando "demandas específicas
em cada Poder".
"O Poder Judiciário tem de se tornar mais transparente e
mais ágil A questão da transparência tem melhorado com a
criação de conselhos externos. Mas não há acesso a dados
básicos, como quantos processos de corrupção ativa e passiva
existem no Brasil." "No Poder Executivo, é preciso facilitar
o acesso do cidadão ao Estado, e reduzir os intermediários
na prestação de serviços públicos. Projetos como o
Poupatempo, em São Paulo, e outros semelhantes, são
positivos neste sentido." No ranking geral, o Brasil caiu da
70ª para 72ª posição - são 180 países - mas essa queda se
explica pela entrada de 17 novos países no ranking deste
ano, em relação ao ano passado.
Para a Transparência Internacional, o 'divisor de águas' é a
nota 5, abaixo da qual estão países com problemas mais
sérios de corrupção.
Na América do Sul, apenas o Chile (7,0) e o Uruguai (6,7)
estão no grupo dos países com melhor desempenho.
Dinamarca, Finlândia e Nova Zelândia (nota 9,4) dividem o
topo do ranking. Somália e Mianmar (1,4), Iraque (1,5) e
Haiti (1,6) - que muitos qualificam como "Estado-falidos" -
estão no espectro oposto.
"A corrupção (nos países com pior desempenho) continua sendo
um enorme ralo de recursos tão necessários para a educação,
a saúde e a infra-estrutura", disse em um comunicado de
imprensa a presidente da Transparência Internacional,
Huguette Labelle.
"Governos de países divididos por conflitos pagam um preço
alto em sua capacidade de governar."
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