"Pneu
furado e as enchentes"
São
as águas de março fechando o verão é o que
diz a música do maestro Tom Jobim. Preso no trânsito,
ou ter a casa ou a empresa invadida pelas águas das
chuvas de verão, ou ainda, pior correr o risco de ser
contaminado por alguma doença infecto-contagiosa. Entra
ano e sai ano e não sabemos a quem recorrer ou culpar.
Ao fundo somos todos nós os próprios causadores das
cheias. Muitos dos fatores podem ser apontados como
co-autores das enchentes. Pneu furado é o grande responsável
por boa parte destes agentes.
Mesmo
estando furado e jogado a mercê de córregos, regiões
ribeirinhas, rios e bueiros, o pneu furado ainda rola,
atola e amola em amontoados no fundo de quintal ou jogados
por todos os lados impedindo a passagem das águas de
março. Assim como pneu furado, muitos outros tipos de
embalagens são descartadas (jogadas) e entopem os bueiros
da maioria dos municípios. A população que é a responsável
pelo problema, reclama e pede soluções por parte da
administração pública.
Se
levarmos em conta o crescimento da população e a quantidade
per-capita de lixo gerado pelas pessoas, dentro de breve
vamos dividir o espaço que ocupamos com o lixo que jogamos.
No
Brasil, segundo estudo feito por universidades americanas,
o Índice de Sustentabilidade Ambiental ISA que
demonstra o equilíbrio do homem ao meio ambiente, está
em 28º com 58 pontos para uma escala que vai até 100
pontos. Cem pontos significa condições perfeitas de
desenvolvimento x meio ambiente, ou seja, não existe
fator de contaminação do meio ambiente. O Brasil detêm
8% de toda água disponível para o consumo humano no
mundo. A maior parte desta água, cerca de 80% está na
região Amazônica, onde vivem apenas 5% da população
brasileira, sendo que 40% ainda são desperdiçados ou
simplesmente vão pelo ralo. A estimativa é que 72% das
internações nos hospitais são de origem de doenças transmitidas
através de águas contaminadas. Anualmente cerca de 40
milhões de pneus são jogados no lixo, córregos, rios,
bueiros ou depositados em aterros sanitários de forma
criminosa.
Hoje
é comum ver pessoas recolhendo das ruas latas de alumínio,
papel, papelão e outros tipos de
materiais passíveis de serem reciclados, conhecidos
como catadores. Muitos até sofram discriminação por
parte da sociedade, embora suas ações contribuam para
a dignidade desta mesma sociedade. A consciência por
um mundo melhor já existe nas pessoas, projetos e meios
para o melhor direcionamento dos materiais descartáveis
também são possíveis. Desde que haja comprometimento
coletivo por parte da administração pública e das pessoas
que vivem ao seu redor. A exemplo temos inúmeras situações
que deparamos todos os dias e muitos ainda implicam
em jogar o lixo em vias públicas. Nos grandes centros
de compras Shopping existem
reservatórios com quatro cores sendo vermelho
para materiais plástico, verde para vidros, amarelo
para alumínio e metais em geral e azul para papel e
papelão e derivados de papel. Se houvesse um ciclo onde
a administração pública pudesse alocar e prensar todo
este material, poderia tirar muitas famílias que vivem
nos aterros sanitários de formas sub-humanas em condições
de miséria e sujeitas a todo tipo de risco contra a
própria vida. A coleta seletiva feita de forma onde
as pessoas possam agrupar os materiais, evitaria muitas
enchentes e transtornos a toda população, e além do
mais estaria ajudando uma família carente. O projeto
é simples e barato pois esses reservatórios ou LEVs
Local de Entrega Voluntária pode ser colocado
em qualquer local bem como: escolas, restaurantes, açougues,
padarias, bancos, supermercados e praças públicas cabendo
a administração regional o recolhimento deste materiais
e o transporte para um local onde seriam prensados e
vendidos as empresas. Cadadores devidamente cadastrados
poderiam fazer a coleta nos LEVs e trabalhariam no local
para prensar o material, e ao final do mês com a receita
da venda deste materiais voltaria em forma de cesta
básicas ou qualquer outra prioridade social, como farmácias
comunitárias, padarias comunitárias etc. Pneu furado
é um sinônimo para tudo que jogamos e amontuamos nos
saquinhos de supermercado chamado de lixo, esse adjetivo
sendo melhor tratado poderia salvar uma vida.
Abaixo
indicadores de lixo gerado pelos município da região.
| Município |
População/mil |
Lixo
(dia x ton) |
Destino |
Classificação |
| Mogi
das Cruzes |
327 |
318 |
Aterro |
Inadequadas |
| Suzano |
228 |
222 |
Aterro |
Inadequadas |
| Poá |
95 |
92 |
Aterro |
Inadequadas |
| Ferraz
de Vasconcelos |
141 |
137 |
Aterro |
Inadequadas |
| Biritiba
Mirim |
24 |
23 |
Aterro |
Inadequadas |
| Salesópolis
|
14 |
13 |
Aterro |
Inadequadas |
| Itaquaquecetuba
* |
267 |
260 |
Aterro |
Inadequadas |
| Total |
|
1066 |
|
|
| |
|
|
|
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fonte
Secretária Meio Ambiente
*
O município de Itaquaquecetuba recebe atualmente lixo
urbano e industrial dos município de Suzano, Ferraz
de Vasconcelos, Poá, parte de Mogi das Cruzes. O local
e sub-alocado pelo governo de estado e já foi inúmeras
vezes interditado pelo CETESB
Alexandre
Freitas